Biomas brasileiros ameaçados

 O universo da fauna e da flora brasileira possui 6 grandes biomas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e o Pantanal. Ou damos um basta a essa destruição ou condenaremos o Brasil a um futuro de aridez e de sombras !

   

O QUE RESTA DOS BIOMAS BRASILEIROS

 

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a devastação da cobertura vegetal dessas regiões ecológicas já atinge 2,5 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 30% do território nacional.

Para que avaliemos essa tragédia natural, lembremos que:

/imagens/desmatamento1.jpg Dos 2 milhões de quilômetros quadrados do bioma Cerrado, pouco mais de 60% estão preservados, ou seja, 2 quintos das suas matas nativas se perderam, sob a fúria das motosserras ou as chamas das queimadas.

Da Mata Atlântica sobrou apenas 27,4% do 1,1 milhão de quilômetros quadrados de outrora, ao longo de praticamente todo o litoral brasileiro. Não admira, pois, que sejamos o país que mais desmata no mundo, de acordo com relatório divulgado pelo Banco Mundial no início de abril.

Na Amazônia, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelam que, somente no mês de fevereiro passado, 752 quilômetros quadrados de florestas foram postos abaixo, vastidão que se soma aos 7 mil quilômetros quadrados destruídos entre agosto e dezembro de 2007. Segundo o INPE, a região amazônica já perdeu 17% da sua cobertura original - 40% nos últimos 20 anos, área maior do que a da Itália.

De acordo ainda com esse Instituto, 20 mil quilômetros quadrados de terras amazônicas, antes ocupadas e exploradas pelo agronegócio, encontram-se abandonadas. Enquanto isso, nos últimos meses o ritmo do desmatamento passou a ser 30% maior.

 ALERTA

A ambientalista Suzana Pádua alerta para a urgência do que devemos fazer:
 

"Como mantenedoras da estabilidade do clima e de grande parte da biodiversidade planetária, as florestas tropicais, se bem protegidas, representam um importante caminho para o equilíbrio. Brasil e Indonésia são o terceiro e o quarto países mais poluidores não por serem industriais, como os Estados Unidos e a China, mas porque desmatam".

O Ministério do Meio Ambiente esforça-se por cumprir a sua parte, não obstante os interesses políticos e as pressões econômicas que, lamentavelmente, agravam e complicam a questão ambiental brasileira. Se muito já se fez, outro tanto, sem dúvida, resta por fazer.

Subscrevemos as palavras do cientista político Sérgio Abranches:

"A Amazônia não tem uma agenda econômica compatível com o objetivo de manter a floresta em pé. A visão econômica predominante ainda é a mesma definida pelo governo militar, que a tratava como um 'inferno verde', a ser conquistado produtivamente para o País. A Amazônia - sem uma agenda de longo prazo, que valorize a floresta em pé e crie as bases para o desenvolvimento sustentado do bem-estar de sua comunidade, com elevação de seus índices de educação, saúde e renda e ampliação de suas possibilidades de ascensão social - continuará sendo plataforma de assentamentos e de expansão da 'fronteira agrícola'." 

Temos que sair retórica à atitude, das boas intenções ao trabalho concreto em favor do meio ambiente. Não há tempo a perder: segundo o INPE, em janeiro e fevereiro do corrente ano já se desmataram cerca de 1.300 quilômetros quadrados, muito mais do que a média histórica do período.

/imagens/cardoso1.jpgOu damos um basta a essa autodestruição ou condenaremos o Brasil a um futuro de aridez e de sombras, magistralmente retratado pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão no romance Não verás país nenhum.

Temos a obrigação moral e o compromisso ético de legar à nossa juventude um novo país, economicamente próspero e socialmente justo, em que o desenvolvimento sustentável deixe de ser apenas uma idéia, para se tornar o caminho que levará a Nação brasileira ao crescimento econômico e à justiça social.

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